segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Acabei de ver o filme argentino La Ciénaga, da minha rede. Tava no top de ranks de cinema latino-americano (não falo da relação de amor/ódio com ranks aqui).



Percorri cena por cena com uma sensação incômoda. A de que havia uma tragédia em tudo ali na frente, sem que se pudesse saber de que se tratava.

Acontecimento com o corpo - o peito rasgado da velha, o dente saindo do céu da boca no garoto (e a queda última antes de conhecer o cão vizinho), o nariz fraturado ... - costurado insistentemente com o múrmurio televisivo da revelação da Virgem na caixa d'água.

Rosto sério ou ébrio. 

Intuí que tinha dedo francês no meio, e tinha. Foi uma merda eu ter intuído isso, porque corro um risco grande de ter sido condescendente com um preconceitozinho medíocre.
Mas foi bom porque lembrei que o Sartre disse numa entrevista que tava fazendo um livro sobre o corpo (com o dono deste, que é o próprio) e não ia conseguir acabar. 

Vou ter que revisitar a entrevista pra saber detalhes.

Por outro lado, o contra-incômodo: é preciso tanto silêncio, morbidez, tanta morosidade, pra um mergulho?
Não há fundura na palavra, no afoito, na audácia, no humor? Diria-se: - Não pode ser. O humor dilui a tragédia e resgata o suicida.

E não é a angústia o resgate contínuo do suicida ?


Vê-se, 



Dispensa-se dedos. É preciso, entre outras coisas, a queda, o peito rasgado e permitir corrimento de sangue.
Penso que tem sangue nas bandeiras pra isso. Tem coisa por vir.







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